A Catedral uma vontade do Imperador Dom Pedro II

É um dos quatro templos religiosos neogóticos oitocentistas do Brasil.

Esta imponente Catedral foi idealizada durante a fundação da cidade, em 1843, através do Decreto Imperial Nº 155, que previa, dentre outras coisas, a edificação de uma igreja em louvor a São Pedro de Alcântara, que se tornaria o padroeiro da cidade e, por séculos, o padroeiro do Brasil.

Dessa forma, ela foi incluída no plano de urbanização de Petrópolis graças a Dom Pedro II e à Princesa Isabel. Sua construção foi iniciada em 1884, porém foi inaugurada somente em 29 de novembro de1925.

Tem uma grande importância não só para Petrópolis – RJ, como também para o Brasil, pois, além da importância religiosa e arquitetônica, é uma construção em estilo neogótico francês, seu altar gótico contém relíquias de São Magno, Santa Aurélia e Santa Tecla, trazidas de Roma pelo Cardeal D. Sebastião Leme. 

No seu interior encontra-se o Mausoléu onde estão os restos mortais da Família Imperial (Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, sua esposa; da Princesa Isabel e do Conde D`Eu, além do seu primogênito Dom Pedro de Alcântara e sua esposa Dona Elisabeth).

Possui também uma grande importância na área artística, haja vista que podem ser contempladas esculturas de Jean Magrou (um dos principais escultores franceses do princípio do século XX), Bertozzi, vitrais e pinturas de Carlos Oswald (que desenhou a imagem do Cristo Redentor), além das vias sacras francesas, rosáceas monumentais, dentre outros. 

“Todo edifício sagrado é cósmico, refletindo, em sua beleza, a Beleza d’Aquele a quem é dedicado. Assim, contemplando a Catedral de Petrópolis, devemos reconhecer que tudo nela nos lembra a “pedra angular” cristã, que é Jesus Cristo. 

A Catedral deseja colaborar nos diálogos interiores entre o visitante e Deus, entre o amante e o Amado. Sua arquitetura, sua luz, seu despojamento, nos falam dessa presença de Deus, transmitida no espaço e na forma das coisas. 

Ao visitá-la, sentimo-nos atraídos por uma interpelação espiritual, que vai muito além de uma simples observação do espaço litúrgico construído. Ao contemplarmos sua beleza, sentimo-nos contemplados por ela. 

Somos herdeiros, portanto, de um patrimônio edificado em diferentes períodos de nossa história, profundamente vinculado ao tempo em que vivemos. Aprofundar as raízes fundantes da nossa identidade civil e religiosa significa, antes de mais nada, procurar o fio condutor que norteou a vida dos nossos antepassados, chegando até o nosso tempo, para entendermos o que somos e o que seremos. 

Sabemos, é verdade, que diferentes sentimentos levam milhares de pessoas a ingressar na secular Catedral. Algumas desejam tão somente rezar. Outras querem conhecer sua história. Outras, ainda, sequer sabem o porquê de estarem ali. Seja qual for o sentimento que leva uma pessoa a ingressar no recinto dessa igreja, percebemos que, após a visita, todas se sentem inebriadas com a sua mística, história e beleza penetrantes. 

Precisamos reconhecer que, desde o princípio, os petropolitanos entenderam a necessidade de a morada de Deus entre os homens ser bela na sua simplicidade, refletindo as categorias que definem o que Deus é: belo, bom, justo e verdadeiro. 

Por isso mesmo, a Catedral continua sendo um prédio vivo, lugar privilegiado onde se constrói uma história que vai muito além daquela escrita nos anais oficiais da municipalidade.

Humildemente imponente, ela nos convida à contemplação, à escuta, porque descobrimos que a agitação, o ruído, o delírio e as aparências ameaçam cada vez mais o cerne da vida humana. Falta-nos o silêncio com a sua autêntica palavra interior, a ordem, a oração e a paz. Falta-nos nós mesmos. Falta-nos Deus. Ou seja, não é a carência de convívio social que nos impele ao “oásis”, mas o seu excesso. E a Catedral de Petrópolis é, inegavelmente, um oásis que pertence a todos os que a ela se dirigem”.                                      

 (Texto extraído do livro “Catedral de Petrópolis: santuário da memória da cidade de Petrópolis ”, de Dom Gregório Paixão, OSB, Bispo da Diocese de Petrópolis)

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