Proposta de Programa para Atividades de Educação Patrimonial

INTRODUÇÃO

Esta proposta usou como referência o Caderno Temático do IPHAN, Educação Patrimonial: reflexão e prática, visando propor atividades que colaborem na formação da “consciência preservacionista” da nova geração. Para Londres (2012), para se pensar em preservação do patrimônio cultural é preciso vinculá-lo às práticas que possam transmitir e difundir os valores contidos nele, além de promover a sua apropriação por parte dos grupos sociais.

Quando se escolhe um bem para preservar, muitas considerações são levadas em conta e não é tarefa simples, já que envolve muitos valores subjetivos. Todavia, são esses valores que “justificam e legitimam a preservação de um bem cultural”, pois têm relação com a sociedade – sua afetividade, memória e identidade – e é pelo interesse público que se elegem quais bens são tombados.

Dessa forma, se entende como bem cultural, mais especificamente, é aquele bem produzido pela cultura escolhido para a preservação, “já que não se pode e nem se deve preservar todos os bens culturais –, fazendo com que, no jargão patrimonial – e por força de convenções internacionais –, a locução bem cultural queira se referir ao bem cultural protegido (CARSALADE, 2016, p.14).

A Catedral de Petrópolis foi eleita um bem cultural da cidade e do Brasil, pois, além de conter laços fortes com a história de Petrópolis, desde sua formação (1). Representa um período importante da história do próprio país, já que sua construção aconteceu por força de vontade da Família Imperial, principalmente da Princesa Dona Isabel. Seu estilo arquitetônico, o neogótico, também marca um período importante na história da arquitetura brasileira e até mundial.

Um projeto como este, que visa revitalizar o bem cultural, deixando-o mais seguro e mais acessível para o uso do público, não é uma ação apenas para assegurar a vida útil da arquitetura, mas também para preservar a história, a memória e a identidade do povo, reforçando assim os laços de pertencimento.

Portanto, a formação da consciência preservacionista junto às novas gerações é fundamental para a continuidade da preservação desse bem, e de outros tantos, cujo desaparecimento constituiria uma perda irreparável. O objetivo principal da educação patrimonial é: despertar no educando a curiosidade, o desejo e o prazer de conhecer e conviver com os bens culturais enquanto patrimônio coletivo, e de leva-lo a se apropriar desses bens enquanto recursos que aprimoram sua qualidade de vida, e que contribuem para seu enriquecimento enquanto pessoa e cidadão, em suas atividades profissionais, de lazer, de criação e de inter-relação com os outros e com o mundo. (LONDRES, 2012, p. 16)

Os valores trabalhados neste tipo de educação, sob o pressuposto de se alcançar tal objetivo, são aqueles levados em conta, na cultura ocidental, ao se classificar um bem como cultural: valores cognitivos, afetivos, estéticos e éticos. Lembrando que arte e religião são campos autônomos.

No que se refere à prática educativa, preferimos adotar visão semelhante à de Florêncio (2012), em que o patrimônio cultural deve ser tratado como tema transversal, interdisciplinar e/ou transdisciplinar, para que se tenha um processo educativo capaz de potencializar o uso dos espaços comunitários e públicos, como espaços formativos.

Então, buscamos propor ações educativas que colaborem na formação formal do educando, em que possa ocorrer uma transversalidade entre as disciplinas de história, arte, língua portuguesa, matemática, geografia, entre outras tantas, como também uma transdisciplinaridade, em que uma atividade que o educando faça possa cumprir objetivos de diversas disciplinas.

Propomos aqui atividades que promovam uma educação pensada como um processo, capaz de gerar “reflexão constante e ação transformadora dos sujeitos no mundo e não somente uma educação reprodutora de informações”. Assim, as práticas quase sempre se aproximam do fazer artístico, ou seja, trabalham o imaginário criativo do educando, despertando-o para a concepção de significados. “Encarar a arte como produção de significações que se transformam no tempo e no espaço permite contextualizar a época em que se vive na sua relação com as demais.” (BRASIL, 1997).

Como o bem cultural em questão é uma obra de arte arquitetônica, ricamente composta por bens integrados de naturezas variadas, nossas propostas partem dos elementos que o compõem, além de sua própria história, características e contexto. A partir da instalação do museu prevista em projeto, podemos expandir as atividades, abrangendo uma educação museal.

(1) Tendo sido prevista sua construção desde a primeira planta urbanística do Plano Koeler, datada de 1846 (Paixão, 2015).

CRIADORES E COLABORADORES

Dom Gregorio Paixão, OSB.
Bispo Diocesano
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Arq. e Urb. Ana Kyzzy Fachetti
Licenciatura em Artes Visuais. Me. em Educação e Doutoranda em Arquitetura
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Arq. e Urb. Erika Pereira Machado
Me. em Preservação do Patrimônio Cultural e Doutoranda em Arquitetura
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Kátia Helena Duque Rossi
Gerente do Projeto e Pedagoga com Especialização em Gerência de Projetos
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Maria Nilva Corsini
Coordenadora Educacional da Mitra Diocesana de Petrópolis

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